Pesquisa COSTS

COSTS – Estudo multicêntrico, prospectivo, randomizado para avaliação do custo de pacientes sépticos em unidades de terapia intensiva brasileiras.

Introdução

Sepse é uma doença de alta prevalência em unidades de terapia intensiva associada a elevadas taxas de morbidade e mortalidade, bem como altos custos. Na literatura, os dados sobre custos relacionados à sepse são escassos e em países em desenvolvimento como o Brasil, tais dados são geralmente indisponíveis.

Métodos

Este estudo multicêntrico, prospectivo e observacional foi conduzido em pacientes adultos sépticos admitidos em 21 UTIs de hospitais públicos e privados do Brasil, no período de outubro de 2003 a março de 2004. Dados de todos os pacientes admitidos nestas UTIs foram obtidos antes da alta ou óbito. Foram coletados apenas os custos diretos relacionados ao cuidado do paciente, definidos como todos os custos relativos ao período de internação na UTI. Os pacientes envolvidos tiveram avaliações diárias relativas à taxas hospitalares, oxigenioterapia, fisioterapia, transfusões, medicações, diálise, análises laboratoriais e de imagem. A unidade de custo padronizada (valores do ano de 2004) foi baseada na tabela de preços da Associação de Medicina Brasileira (AMB) para procedimentos médicos e na tabela BRASINDICE para preço de medicações, soluções e outros consumos hospitalares. A utilização de recurso médico também foi diariamente avaliada usando o Therapeutic Intervention Scoring System (TISS-28). Custos indiretos não foram incluídos.

Resultados

Com idade média de 61,1±19,2 anos, 524 pacientes sépticos de 21 centros foram inclusos neste estudo. A taxa de mortalidade geral foi de 43,8%, a medida do score APACHE II foi de 22,3±5,4 e a média do score SOFA na admissão da UTI foi de 7,5±3,9. A mediana do custo total do tratamento da sepse foi de $US9632 (interqualite range [IQR] 458318387; 95% CI 8657, 10 672) por paciente enquanto a mediana do custo diário por paciente foi de $US934 (IQR 7351170; 95% CI 897, 963). A mediana do custo diário da UTI por paciente foi significativamente maior em não sobreviventes do que em sobreviventes, ou seja, $US 1094 (IQR 8881341; 95% CI 1058, 1157) e $US826 (IQR 668982; 95% CI 786, 854), respectivamente (p<0.001). Para pacientes admitidos em hospitais públicos e privados a média do score SOFA na admissão foi de 7,5 e 7,1, respectivamente (p=0.02) e a taxa de mortalidade foi de 49,1% e 36,7%, respectivamente (p=0.006). Pacientes admitidos em hospitais públicos e privados tiveram tempo de internação semelhante de 10 (IQR 519) dias contra 9 (IQR 416) dias (p=0.091), e a mediana do custo direto total em hospitais públicos ($US9773; IQR 464319 221; 95% CI 8503, 10 818) em relação a hospitais privados ($US9490; IQR 430517 034; 95% CI 7610, 11 292), não deferiu significativamente (p=0.37).

Conclusão

O presente estudo fornece a primeira análise econômica do custo direto da sepse em UTIs brasileiras e revela que o custo de tratamento da sepse é alto. Apesar do manejo similar, houve uma diferença significativa no seguimento dos pacientes em hospitais públicos e privados. Enfim, a mediana do custo diário de tratamento da sepse em pacientes não sobreviventes foi maior que em pacientes sobreviventes durante a internação na UTI.

Empresa patrocinadora

Esse estudo foi parcialmente financiado por verba doada sem restrição de uso pela empresa Eli Lilly do Brasil.

Status do estudo

Concluído e publicado na Plos One 2013 (8): e64790. Acesso em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23762255

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